Gyaban - A opinião particular de Bycrosser sobre a série!!

Primeiramente, gostaria de explicar que o herói Gyaban é também chamado pelo nome Gavan, mas eu prefiro utilizar a pronúncia correta, pois além de ser a original, na série Sharivan o herói é também chamado assim. Gyaban foi a primeira série da linhagem que viria a ser denominada "Metal Hero" e realmente esta série teve o porte necessário para dar base e força para a sustentação desse novo gênero.

Quando a série estreou no Japão, na primeira metade de 1982, esse live-action pegou muitos telespectadores de surpresa, pois apresentou um estilo narrativo único, ação incessante e principalmente um visual de alta tecnologia muito arrojado para os padrões na época. O traje de combate do herói lembrava ao mesmo tempo uma armadura medieval e um traje futurista, cheio de armas e apetrechos da mais moderna tecnologia, incluindo aí a nave que se convertia no dragão Dulu. Outro ponto forte é a transformação do herói com a detalhada explicação de como acontecia o processo de transformação de Takeshi em Gyaban, e também a então original idéia do "mundo do retrocesso" dos vilões, em que aparecia o planeta Terra rodando ao contrário, originando uma dimensão paralela que tragava o herói e o monstro do episódio para lutarem num ambiente psicodélico. Estas inovações até hoje prendem a atenção, e perto de outras séries tokusatsu antigas ainda impressiona pela sua criatividade.

O resultado de "Ucchyu Keiji Gyaban" foi um sucesso arrasador no Japão, originando diversos fãs até hoje e possibilitando uma verdadeira invasão de produtos relacionados com a série, como brinquedos, cards (cartões colecionáveis), álbums de fotos e figurinhas, discos (hoje CDs), chaveiros e outras quinquilharias... Um fato interessante desse herói é que ao contrário de outras séries do passado cujo herói foi criado pelo famoso desenhista de manga Shotaro Ishinomori, Gyaban foi obra conjunta da equipe da TOEI Co. com a mais importante empresa de brinquedos do Japão: a BANDAI. A série foi estrategicamente bolada para ser um sucesso desde o início. Com a influência da BANDAI no projeto foi possibilitado uma aparência mais agradável para as veículos, armas e principalmente no visual de Gyaban que tinha realmente que impressionar e cair na preferência do público desde o primeiro episódio, o que de fato tornou-se realidade.

Pessoalmente, enxergo essa série não só como a fundadora de um novo gênero, mas sim como um grandioso momento dos Metal Heroes pois tem uma história ao mesmo tempo bem contada e simples: A luta de um herói para cumprir sua missão de defender a Terra contra uma ameaça vinda do espaço. Mas mais do que isso, Gyaban nada mais é do que uma parábola sobre a força e importância dos laços familiares para os homens, que fica caracterizado na busca incessante do herói em reencontrar seu pai, que admira e o tem como o exemplo do policial correto, honesto e cumpridor de seus deveres no qual ele se espelha.
De fato, com o andamento da história, o telespectador passa a torcer junto com o herói para que este reencontre o seu pai, ao mesmo tempo que consiga destruir a Organização Criminosa Maku. A série possui uma narrativa em relação a esses fatos muito bem trabalhada e que vai caminhando até o episódio 43 (o penúltimo) quando finalmente o reencontro acontece. Quem assistiu esse episódio tem a mais importante prova de que uma série de super-heróis japoneses não consiste apenas em lutas e robôs gigantes, mas também em atuações verdadeiramente de primeira linha por parte dos atores com uma forte carga dramática capaz de emocionar até as pessoas mais insensíveis.

Uma observação que faço aqui a respeito dos vilões principais é que eles são em menor número do que em outras séries Metal Hero posteriores. Basicamente são 4: Don Holar (o chefe), Caçador Maligno (que nunca enfrenta Gyaban num combate corpo a corpo), San Dorba (que aparece na metade da série), e Kiba (que aparece na série junto com San Dorba). O resto é composto por soldados, Monstros e Guerreiros Doubler. A trilha sonora é sem sombra de dúvida a mais clássica e inesquecível já criada para uma série Metal Hero. Os temas instrumentais de fundo são grandiosos, e principalmente as músicas cantadas asseguraram o sucesso do cantor Akira Kushida, no qual temas como Utyu Keiji Gyaban, Jouchakuseyo Gyaban, Run Gyaban, ou Super Hero Bokura no Gyaban são lembradas imediatamente por quem acompanhou a série. O sucesso foi tanto que Kushida foi encarregado posteriormente de cantar as músicas de Sharivan, Shaider, Jiraiya, Jiban e algumas canções relevantes de Jaspion como a música do Robô Daileon.

A interpretação de Kenji Oba é realmente excelente e se encaixa perfeitamente ao personagem principal, dando o tom certo nas horas de ação e sabendo emocionar nas horas dramáticas. Além disso, a série contou com uma grande participação de artistas famosos na série, como o veterano ator, dublê e na época o chefe do JAE (Japan Action Enterprise) Sonny Chiba que interpretou o pai de Gyaban, Hiroshi Myauchi (Kamen Rider V3, Goranger, Jacker Dengekitai, Zubat, o Chefe Massaki de Winspector) como o policial espacial Allan que aparece nos episódios 30 e 31, Machiko Soga (Hedorian de Denziman e Sun Vulcan, Rainha Pandora de Spielvan, Aracnin Morgana de Jiraiya, Bandra de Jyuranger) como uma vilã que se transforma no monstro Mitsubachi, e Sussume Kurobe (o 1º Ultraman) no episódio 25 (uma flor mágica suspeita). Além disso muitas estilos narrativos foram experimentados em diversos episódios dessa série, o que a torna além de tudo bem versátil. Há episódios em que Gyaban tem que correr como um louco para lutar e salvar sua pele de inimigos ou armadilhas, luta contra inimigos imaginários frutos de ilusões criadas pela Maku, tem que salvar alguém que está correndo perigo... até mesmo tem episódios que se aproximam de um filme de terror (episódio27), e finalmente, o episódio que faz uma brincadeira com uma antiga fábula da cultura oriental (episódio 18 - na minha opinião um dos melhores e mais inventivos da série).

Gyaban gerou uma trilogia sobre os policiais do espaço,cujas seqüências são Sharivan (1983) e Shaider (1984), e o personagem tanto como na forma de Takeshi, como transformado em Gyaban aparece novamente em Sharivan e no filme "O Grande Encontro dos Policiais do Espaço - Gyaban, Sharivan e Shaider". Inclusive alguns personagens dessa 1ª série como Kojiro, Mimi e o Comandante Kom aparecem nas 3 séries, servindo de elo de ligação na trilogia. Praticamente a fórmula da série deu tão certo que muitas situações são reaproveitadas nas duas séries posteriores e até mesmo em Spielvan (1986).

No Brasil, apesar de todo o potencial e importância deste clássico, a série não recebeu um tratamento adequado digno do herói. A série foi exibida na Rede Globo, junto com a série Bycrosser(1985) na extinta "Sessão Aventura" às 17:30 da tarde com o título de "SPACE COP", numa tentativa da emissora de concorrer com a Rede Manchete que estava tendo êxito com a exibição de Jaspion, Changeman, Jiraiya, etc... Porém foi dada pouca ênfase para a série, a imagem do herói não soube ser valorizada e a séries acabou sendo tratada como qualquer outro enlatado exibido pelo canal até hoje. O resultado é obvio: foi confinado nos porões da empresa junto com Bycrosser e outras séries. Além disso, na época a televisão estava exibindo muitas séries tokusatsu ao mesmo tempo em vários canais diferentes, o que acabou fazendo com que a série não tivesse a atenção devida por parte do telespectador.

Mas o mau trato foi mais além, a dublagem de Gyaban aqui no Brasil é considerado um dos raros casos de péssima adaptação. Não tanto pela escolha das vozes que até que eram razoáveis, mas no quesito fidelidade. Coisas do tipo: "Venha me enfrentar...já estou te enfrentando..." eram pronunciadas ao léu numa visível improvisação fora de hora...Isso sem falar que o nome dos golpes sempre eram mudados de um episódio para o outro, e às vezes o narrador viajava um pouco para descrever alguma situação do momento.

Porém, apesar de tudo isso, a série não perdeu o seu charme na nossa TV, e apesar de pouco lembrado por quem não tem um conhecimento mais aprofundado sobre os Tokusatsu exibidos em nosso país, Gyaban ocupa o seu lugar como um dos melhores seriados de heróis japoneses exibidos aqui e digno de respeito. Infelizmente, provavelmente jamais iremos rever suas aventuras na TV, mas quem teve a sorte de assistir há 12 anos atrás guarda até hoje na memória suas aventuras.