Gyaban - O mangá!!

Um fato pouco conhecido por fãs de mangás, anime e Tokusatsu do Brasil é que não só os animes tem sua versão em mangá no Japão, mas também muitos seriados live-action possuem representação em mangá . Desde os primórdios dos super-heróis japoneses foram feitas adaptações para os quadrinhos naquele País... Bons exemplos disso são os mangas criados pelo renomado manga-ká (desenhista de mangá) Shotaro Ishinomori, que lançou paralelo a exibição dos Tokusatsu na década de 70 a versão em quadrinhos dos personagens criados por ele originalmente para a TV como os mangás de Kamen Rider, Kikaider (esse inclusive além de aparecer o Kikaider e Kikaider01 mostrava também um personagem inédito na TV - Kikaider 00), Go Ranger, Jacker Dengekitai, Akumaizer3 e outros heróis da época...

Com a chegada dos anos 80, esse procedimento continuou existindo, porém outros desenhistas também fizeram versões em mangá de seriados live-action, e dentre eles um mangá-ká chamado Minoru Nonaka, que fez várias adaptações de seriados de sucesso como Denziman, Sharivan, Shaider, Jaspion e principalmente Gyaban!
O manga de Gyaban foi publicado primeiramente numa revista dedicado a Tokusatsu e animes da TV japonesa chamada "TV Magazine", como as outras adaptações feitas por ele e já citadas, foi publicado no período em que a série estava sendo exibida na TV Asashi (começo de 1982 até o início de 1983). E a saga do herói foi contada em 13 capítulos que condensaram os acontecimentos da TV. A arte é realmente primorosa para a época os desenhos de Gyaban, Mimi, os vilões estão muito caprichados e lembram bem os personagens da TV. Um ponto alto na minha sincera opinião foi o vilão San Dorba que conseguiu ficar ainda melhor transposto para o papel, bem como a bruxa Kiba que tem mais aparência de bruxa que na TV - inclusive com direito ao famoso nariz com verruga que as bruxas costumam ser retratadas.
Apesar de ser uma transposição da série para manga, alguns fatos demoram para acontecer, outros acontecem bem mais rápido que na TV. Um exemplo disso é o fato da descoberta da presença de Mimi na Terra por Gyaban que só acontece no capítulo 3, ao contrário do Tokusatsu que é no 1º capítulo. Outros fatos da série como a fusão dos Guerreiros-Doubler e Monstros-Bem em um único ser, os episódio 23, 24, 30, da série de TV foram refeitos nos capítulos 6, 8, 9, 10... O final é o mesmo: Gyaban reencontra seu pai e destrói Don Holar e a organização Maku.

Posteriormente ao termino deste manga, Nonaka fez a quadrinização de Sharivan, Shaider e Jaspion e nesse meio de tempo os 13 capítulos de Utyu Keiji Gyaban foram relançados numa única edição, com capa própria e vendido nas lojas especializadas em manga do Japão. Quanto ao desenhista, Nonaka não parou somente nas adaptações de séries Tokusatsu como também acabou sendo responsável pela criação dos personagens de Cybercops, série bem conhecida e lembrada por nós aqui no Brasil.

Uma opinião pessoal a respeito do mangá de Gyaban é que ele é a prova mais importante de que manga não tem obrigatoriamente que estar associado somente a animes, mas funciona muito bem com adaptações de seriados Tokusatsu. Infelizmente, apesar das publicações de mangá estarem em alta em nosso país, provavelmente jamais teremos a chance de ter em mãos um título importante como o de Gyaban, pois não é um título "da moda" e não trará lucros extraordinários para as empresas nacionais que estão se beneficiando com os quadrinhos nipônicos. A única saída é conseguir as originais, importadas e caras revistas destas séries e que muitas vezes já se encontram esgotadas no próprio Japão. Isso para quem tem grana e paciência para encontra-las...